Desde os tempos mais antigos houve pessoas que usaram o poder do olhar: yoguis, hipnotistas, sacerdotes, líderes. O seu olhar era mais forte do que as suas palavras. A sua consciência “tocava” a consciência de outras pessoas, e transmitia emoções e pensamentos em outros espíritos.

O olhar pode fascinar, encantar…

Desde os tempos mais antigos houve pessoas que usaram o poder do olhar: yoguis, hipnotistas, sacerdotes, líderes. O seu olhar era mais forte do que as suas palavras. A sua consciência “tocava” a consciência de outras pessoas, e transmitia emoções e pensamentos em outros espíritos.

O que está por detrás?

Tentamos agora dar-vos um breve relato possível do poder do olhar de forma mais científica. É importante compreender que o que encontrareis aqui são hipóteses científicas para uma realidade.

Hipnose e Fascinação

O estado de fascinação pode ser contado entre os estados hipnóticos.

Neste caso, pode ser visto como algo diferente do que é normalmente referido pelos hipnotistas atuais como “transe”. Graças às técnicas de fascinação, podemos obter resultados não alcançáveis através da simples sugestão. O estado de fascinação não é apenas psicológico mas também fisiológico.

Se o observardes de um ponto de vista hipnótico, é um dos estados mais surpreendentes que podemos alcançar. Há também muitos sinais físicos – os músculos da mandíbula estão relaxados e os olhos estão bem abertos com pouco ou nenhum movimento.

Neste estado, a atenção do sujeito está concentrada e as ideias são postas em ação imediatamente. Normalmente os olhos da pessoa fascinada estão colados aos olhos do fascinador e não conseguem desviar o olhar.

Muitos sujeitos declaram não se lembrar de nada no final da experiência.

Outro uso da fascinação é influenciar e persuadir, e o termo passou para a linguagem popular como uma forma de dizer que uma pessoa é capaz de capturar a atenção de outrem.

Fascinação e Ciência Quântica

A fascinação pode ser definida como uma relação de observação intensa. A atenção da pessoa fascinada está completamente ligada à pessoa que está a observar, e os resultados tendem a obedecer a conceitos quânticos.

O observador influencia a realidade que está a observar
«Heisenberg»

Isto é verdade em cada relação, mas é ainda mais verdadeiro na fascinação. Ou seja, uma relação de observação. A observação do operador é o que cria e influencia a realidade.

Ondas Gamma e Fascinação

O treino de fascinação da escola dos fascinadores parece ser capaz de induzir no fascinador um estado de alta excitação e alta atividade cerebral em alguns casos. Este estado de consciência aumentada pode ser atribuído à produção de ondas gamma.

Uma onda gamma é um padrão de ondas cerebrais, associado à perceção e à consciência. Algumas experiências com meditadores budistas tibetanos avançados (por uma equipa que incluía Mathieu Ricard), revelaram flutuações EEG coerentes de alta frequência de “ondas gamma” na faixa de 30 a 90 ciclos por segundo (várias vezes mais rápidas do que as bem conhecidas ondas “alfa” de meditadores principiantes de aproximadamente 10 ciclos/seg.).

Há agora indicações de que os cérebros destes budistas realmente veem milhares de neurónios em localizações amplamente espaçadas a disparar em sincronização coerente. Estão demasiado perfeitamente sincronizados para serem controlados por processos neuronais normais, e relativamente lentos. Alguns investigadores estão agora a sugerir que estranhos efeitos quânticos “não-locais” podem unicamente coordenar estas oscilações coerentes.

Estes estados particulares podem portanto também estar na base de alguns fenómenos de “transferência de pensamento” que observamos. No nosso treino temos uma semelhança impressionante com o que foi observado em alguns monges tibetanos.

A consciência elevada, conhecida como Samadhi na tradição meditativa, é uma experiência não obscurecida por conteúdos cognitivos. Chega-se a ela geralmente de forma gradual, disciplinando a mente e aprendendo a concentrar toda a atenção numa única coisa. Concentrar a mente num único ponto é também o exercício fundamental dos fascinadores.

Algumas antigas escolas de pensamento acreditam que para alcançar o verdadeiro samadhi, dever-se-ia ser capaz de se concentrar 12 X 12 X 12 segundos (isto é, 1728 s. ou 28 min 48 s). Parece que 28 min e 48 s está muito próximo dos “30 minutos” que estão ligados a alcançar um poder superior em algumas tradições.

(Nota: As explicações científicas nunca são “verdades”. As únicas verdades são os factos que podemos testemunhar. As explicações científicas são apenas uma forma de tentar encontrar uma base nas ciências modernas para a realidade que experienciamos.

SAMADHI, ONDAS GAMMA E PRESENÇA

Neste ponto há também um aspeto muito interessante: a conexão entre os estados que criamos ao trabalhar com a fascinação e a tradição aristocrática da “presença” (desenvolvimento superior da consciência) pode encontrar uma base nestes estudos.

Como a tradição aristocrática da presença envolve a desconceptualização, podemos observar que concentrar-se completamente numa única coisa significa soltar tudo o resto. Então quando um indivíduo consegue alcançar isto, pode remover-se de todos os conteúdos cognitivos indesejados e desfrutar de uma experiência pura e não mediada da realidade.

Agora, se a frequência das ondas Gamma aumenta à medida que mais partes do cérebro estão conectadas através de junções gap, parece que os praticantes avançados são simplesmente capazes de colocar em rede mais partes do seu cérebro, tendo treinado para concentrar as suas mentes. Os benefícios da meditação não desaparecem todos. Os praticantes avançados têm uma sincronia gamma de base mais alta, sugerindo uma consciência, concentração e consciência gerais mais elevadas. Outras pesquisas mostraram que a meditação também espessa a matéria cinzenta em partes do córtex onde normalmente se torna mais fina com a idade.

É também interessante observar que sempre foi notado que os verdadeiros fascinadores eram geralmente inteligentes e rápidos pois estavam concentrados na ação. Parte poderia ser o resultado do treino.

Períodos transitórios de neurónios sincronizados a disparar na banda de ondas gamma, compostos por grupos inteiros de neurónios de diferentes partes do cérebro, foram propostos como mecanismo para reunir uma matriz distribuída de processos cognitivos para gerar um ato cognitivo coerente e concertado, como a perceção. Por exemplo, foi sugerido que as ondas gamma estão associadas à resolução do problema do binding. Estudos recentes mostraram que o reconhecimento de novas intuições ocorre quando os padrões saltam de 20 para 40 Hz. Uma intuição sobre isto é também chamada “o momento eureka”.

MUNDO ANIMAL E FASCINAÇÃO

As ondas gamma também podem ser facilitadas por emoções fortes.

Como as emoções podem facilitar as ondas gamma, é interessante que mesmo no mundo animal encontremos algo que pode ser semelhante à fascinação humana em duas instâncias específicas:
– Um certo tipo de fascinação acontece na esfera sexual, quando o animal vê um parceiro.
– Outro tipo de fascinação está estritamente ligado à captura de uma presa.

Há muitos relatos de animais fascinando-se mutuamente. As serpentes, por exemplo, parecem ser capazes de fascinar aves e outras criaturas semelhantes em alguns casos. Parece que a maioria dos animais tem uma espécie de intuição do poder da fascinação e é capaz de usá-la quando precisa.

As pessoas de hoje, vivendo na cidade, não veem tantos exemplos, mas mesmo um dos nossos mestres (Virgilio) disse que no campo muitas pessoas veem a fascinação como nada de muito estranho pois acontece o tempo todo no mundo animal.

A CIÊNCIA POR DETRÁS DA FORÇA VITAL INTERIOR

Ao trabalhar com a fascinação, outro aspeto interessante é o despertar da força vital interior. Em cada tradição, a força vital pode ser aumentada e dirigida através de exercícios especiais. Vemos aqui uma impressionante semelhança ocidental com a ideia do “despertar da kundalini” nas técnicas de desenvolvimento orientais.

SIMILITUDES COM O “DESPERTAR DA KUNDALINI” E A “SÍNDROME DA KUNDALINI”

A Kundalini, segundo vários ensinamentos, é um tipo de “energia corporal”.
Segundo os escritos e a tradição oral yóguica, a força da Kundalini é elevada através de práticas meditativas específicas.

As experiências da Kundalini são compreendidas utilizando a estrutura do sistema de chakras, os centros psico-espirituais de energia ao longo da coluna vertebral. Segundo a tradição hindu, a Kundalini sobe do chakra raiz através do canal espinal (chamado Shushumna), e acredita-se que ativa cada chakra por onde passa. Diz-se que cada chakra contém características especiais. Os chakras são quaisquer dos plexos nervosos ou centros de força e consciência localizados dentro dos corpos interiores do homem.

A Kundalini também foi definida como “despertar prânico”, onde o Prana é interpretado como a força vital que sustenta a vida no corpo. A energia vital elevada ou intensificada é chamada pranotthana e supõe-se que tenha origem num aparente reservatório de subtil bio-energia na base da coluna vertebral.

A NOSSA OPINIÃO SOBRE AS NOSSAS PRÁTICAS

A nossa opinião é que o fascinador cria em si mesmo um estado sincronizado entre as diferentes glândulas e centros nervosos correspondentes aos diferentes chakras. Esta sincronização é uma expressão da sincronização de várias partes do cérebro.

O resultado poderiam ser ondas gamma ou simplesmente um melhor funcionamento do cérebro.
Se olharmos para o cérebro como um elemento que tem o objetivo de sincronizar as diferentes partes do corpo, podemos compreender que ao sincronizar as diferentes glândulas criamos um estado especial que é provavelmente necessário para alcançar os resultados superiores que observamos.

A FASCINAÇÃO DE UM PONTO DE VISTA ETOLÓGICO

Podemos observar a fascinação também de um ponto de vista puramente psicológico e etológico. A ideia é: a mente lógica e a sociedade são apenas uma recente sobraestrutura para o ser humano.

Como era possível nas eras primitivas determinar que alguém era superior?

Vemos que alguns primatas se olham nos olhos. Podemos pensar que o mesmo acontece com os humanos. O olhar direto pode ser uma manifestação de superioridade que desencadeia reações automáticas codificadas nos nossos cérebros.

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